Crianças e adolescentes poderão não ter mais acesso a jogos eletrônicos considerados violentos em lan houses, lojas de informática ou estabelecimentos similares no Estado.
Oprojeto de lei que proíbe a utilização desses games foi aprovado ontem pela Assembleia Legislativa. A proposta precisa ainda ser sancionada pela governadora Yeda Crusius, que terá de pedir a regulamentação antes de a medida entrar em vigor. O deputado estadual Kalil Sehbe (PDT), autor da lei, revela que os inúmeros pedidos encaminhados por pais preocupados com o comportamento dos filhos motivou a iniciativa.
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– Reconhecemos o papel importante dos videogames no lazer e, até mesmo, no desenvolvimento de habilidades motoras e mentais. Entretanto, diversos estudos apontam os prejuízos inerentes, inclusive distúrbios comportamentais – aponta Kalil.
A intenção do deputado é que a venda de jogos também seja vetada a menores de 18 anos tanto em lojas especializadas quanto em lan houses. Essa proibição, no entanto, dependerá da regulamentação que será encaminhada pelo governo estadual.
– O aumento da carga de informações e a quantidade de estímulos influenciam na formação de jovens mais inteligentes. Também é preciso dizer que as lan houses são importantes locais de acesso à informação e de relacionamento para os jovens – diz Sehbe.
Aprovação causa surpresa em lojas de Porto Alegre
Surpreendidas, as lan houses da Capital não sabiam sequer da existência da proposta. Esses estabelecimentos já vêm sendo alvo de legislações polêmicas nos últimos anos em todo o país, como é o caso de uma lei municipal de Porto Alegre que regula a distância dessas casas para escolas.
– Essa lei não se justifica. Quem é responsável pela maior criminalidade não usa computador, não tem oportunidade. A tese de que os jogos podem incitar violência é furada – aponta um proprietário de uma lan house da zona norte da Capital, que preferiu não se identificar.
Para o psiquiatra especializado em infância e juventude Enio Resmini, os jogos da internet ou dos videogames não determinam se a pessoa será mais ou menos violenta.
– Na maior parte dos casos, esses tipos de jogos funcionam como um refúgio para as crianças e adolescentes. Mágoas e raiva são transferidas para o mundo virtual. Eles deixam de resolver os seus problemas no mundo real – sustenta Resmini.
O especialista afirma ainda que os jovens viciados em games deste tipo são calmos e costumam se isolar.
– Eles matam monstros e inimigos no game. Até hoje, não encontrei um caso de alguém que fosse violento só por causa de um jogo – ressalta o especialista.
O projeto aponta como jogos violentos aqueles que ofereçam opção da prática de destruição, morte, dano físico ou psíquico a qualquer forma de vida humana, animal e vegetal, mas só a regulamentação irá definir quais jogos estarão proibidos, assim como a forma de fiscalização.
Outras restrições
> A iniciativa da Assembleia Legislativa gaúcha não é a primeira que tenta barrar o acesso a jogos violentos no país
> Em abril do ano passado, o Tribunal de Justiça gaúcho determinou a suspensão da importação, da distribuição e do comércio do jogo eletrônico Bully (foto), que mostra a agressão de alunos a professores. Nele, Jimmy Hopkins, 15 anos, é um tipo de valentão que deseja se tornar o manda-chuva da escola onde estuda. Para isso, briga, cria pequenas bombas, faz missões para ganhar moral com os outros e até pode ter envolvimentos amorosos com meninos ou meninas.
> Três meses antes, a Justiça Federal de Minas Gerais tomou medida semelhante: proibiu a venda dos jogos de tiro Counter-Strike Source e Counter-Strike Antology. No game, segundo descrição do Procon, traficantes do Rio de Janeiro sequestram e levam para um morro três representantes da Organização das Nações Unidas (ONU). A Eletronic Arts, responsável pela distribuição no Brasil, defende-se dizendo que a descrição se referia a uma versão não-oficial desenvolvida por jogadores.
Fonte: Jornal Zero Hora, GUSTAVO AZEVEDO – gustavo.azevedo@zerohora.com.br
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